Sexta-feira, Maio 25, 2007

Medo do futuro

O futuro, ao que parece, já chegou. No meu primeiro encontro com ele senti um pouco de medo, confesso. Percebi o quanto estou desatualizado em relação às inovações tecnológicas logo que fui apresentado a uma nova geringonça: o e-paper.

Para quem não sabe, o e-paper é o último grito em publicações virtuais. Por intermédio de uma tela flexível - semelhante às de cristal líquido - o sujeito pode ter acesso aos mais variados jornais, livros e documentos. É uma daquelas coisas que você pensa que poderia existir, mas que no final das contas só aparece em filme de ficção científica. No entanto, a coisa agora é real, e esteve nas minhas mãos.

Fiquei pensando depois se esse projeto embrionário pode acabar com a supremacia histórica dos jornais e meios impressos em geral. Conjecturei também sobre um novo movimento ludista, a quebra de máquinas organizada por trabalhadores desempregados durante a revolução industrial na Inglaterra. Muitas gente vai ficar desempregada - aliás, já está ficando - por conta das incensadas inovações tecnológicas.

Não quero parecer retrógrado. Tenho consciência da importância destes meios para a evolução do ser humano e etc. Mas, sei lá, criei implicância. Me sinto como um senhor de 80 anos que se vê em frente a um computador pela primeira vez. Fico pensando se há realmente uma inserção destes produtos entre a sociedade. Se as pessoas acreditam que necessitam de um e-paper, ou qualquer outra coisa, para serem felizes, ou informadas.

O mais engraçado é escrever sobre isso num blog, quando o mais apropriado seria talvez um pergaminho.

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Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

Computador quebrado + férias repentinas = blog parado.

Voltaremos em breve!

Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

Next Generation

Ser rico e famoso é o maior sonho de americanos entre 18 e 25 anos

da France Presse, em Washington

Os jovens americanos entre 18 e 25 anos têm dois objetivos na vida: ficarem ricos e famosos, de acordo com estudo do Centro de Pesquisas Pew.

Pelo menos 81% dos jovens pertencentes ao que se chama hoje nos EUA de "Next Generation" querem ficar ricos e 51%, famosos.

Seus predecessores, da "Geração X" (nascidos entre 1966 e 1980), também queriam ficar ricos (62%), mas o desejo de ser famoso (29%) ficava atrás da vontade de ajudar as pessoas (36%).

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E eu aqui, querendo fazer revolução...

Por essas e outras que eu digo, Guy Debord tinha razão: o espetáculo superou a vida real.

Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

Pé-limpo no underground

Garage será reinaugurado em abril

O Globo Online

RIO - Um dos palcos underground mais importantes do Rio, o Garage será reinaugurado em abril deste ano depois de passar por uma grande reforma. A casa vai ganhar um novo sistema de som e um segundo ambiente, no subsolo.

Os novos produtores do lugar lançaram um concurso para escolher a sua nova logomarca. Os participantes devem enviar suas sugestões para o e-mail
garage@garageclube.com.br . O vencedor ganhará um passe-livre de três meses e cotas de consumo no bar.

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Será que a moda dos "pés-limpos" - botecos sujos que se reformularam e viraram o "must" - chegou às casa de show underground? Esperemos para ver. De qualquer forma, mais vale um Garage aberto do que dois Teatros Odisséia por aí.

Terça-feira, Janeiro 02, 2007

Rega-bofe

Garrafa de Coca-Cola desenvolvida especialmente para comemorar a posse reeleitoral do presidente Lula. É mais um símbolo do quanto o PT se afastou do ideário socialista que o concebeu. O mimo foi dado como brinde a membros do atual governo que participaram da festa de reveillón promovida pela multinacional, em Brasília. Os convidados deveriam vestir vermelho. Parece até deboche. O crédito das fotos é de Alan Marques da Folha de S.Paulo. Leia mais sobre a festa nababesca da Coca-Cola em Brasília aqui.

Segunda-feira, Janeiro 01, 2007

Adeus, Garotinho!

'Covardes terão resposta', diz Cabral ao assumir

Na posse, ele pediu minuto de silêncio pelas vítimas dos ataques."Nosso governo não vai se intimidar", afirmou.

Portal de Notícias G1

O governador Sérgio Cabral e o vice-governador Luiz Fernando Pezão tomaram posse na Assembléia Legislativa (Alerj), nesta segunda-feira (1º). Sérgio Cabral fez um discurso de cerca de 20 minutos. Ele falou sobre os ataques criminosos que começaram na quinta-feira (28) no Rio, e que mataram 19 pessoas.

"Nosso governo não vai se intimidar, não vai tergiversar para garantir tranqüilidade e segurança ao povo do Rio de Janeiro. Esses covardes terão a resposta de um governo sério", afirmou. Nesse momento, pediu um minuto de silêncio em solidariedade às vítimas dos ataques.

Cabral falou também sobre a importância de se ter uma Justiça ágil e eficiente e prometeu governar em colaboração com os prefeitos. "As pessoas não moram no estado, elas moram em cidades e bairros", disse o governador.

Ele destacou a boa relação que pretende manter com o governo federal. Segundo o governador eleito, essa relação tem importância estratégica para o estado, que possui o maior número de universidades federais, a sede da Petrobras, do BNDES e os maiores contingentes da Marinha, Exército e Aeronáutica. Cabral foi aplaudido de pé após o discurso. (leia a matéria completa aqui).

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Ano novo, governo novo e promessas velhas. Tá certo que o governo Sérgio Cabral parece ser minimamente melhor do que as administrações fluminenses anteriores, incluindo ai os dois governos Garotinho e o mandato-tampão de Benedita da Silva e excluindo, obviamente, o primeiro governo de Brizola. Mas bem que ele poderia dar uma saída mais original para o problema da (in)segurança pública.

No entanto, ele mandou bem em fazer esse "minuto de silêncio" às vítimas. Pode ser puro truque de mídia, pois todos sabem que o novo governador trabalha com uma equipe de comunicação classe A, que consegue transformar até um simples café na padaria em um evento de extrema importância. Vamos esperar e contar até quando vai durar a lua-de-mel entre o governo estadual, a imprensa e a sociedade civil.

Seria bom também criar uma escala "factóide/dia" em que o prefeito Cesar Maia e Cabral competiriam cabeça a cabeça.

No mais, só de saber que não teremos que aturar Rosinha e Anthony - pelo menos até 2008 - já me dá vontade de festejar.

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Feliz ano novo a todos (poucos) que acompanharam esses dois meses do Criando Caso.

Sexta-feira, Dezembro 29, 2006

Tipo Colômbia

Governo do estado já sabia

Rosinha e secretário de Segurança minimizam ataques do tráfico para se vingar de milícias

O Dia

Rio - Durante todo o dia de quinta-feira, a única autoridade a dar uma explicação convincente sobre o motivo dos ataques foi o secretário de Administração Penitenciária (Seap), Astério Pereira dos Santos. Segundo ele, a cúpula da Secretaria de Segurança Pública (SSP) já sabia da onda de terror desde terça-feira. "Recebi informação do setor de inteligência da própria SSP, com data de 26 de dezembro, informando que bandidos atacariam dia 28 (quinta-feira), em resposta à atuação de milícias que estariam expulsando o tráfico de comunidades", revelou.

Astério disse ainda que há dois meses enviara ofícios para os órgãos de inteligência do estado e da União, avisando sobre a insatisfação de líderes do tráfico presos com o avanço das milícias.
Já o secretário de Segurança Pública, Roberto Precioso, alegou que a mudança de governo e, conseqüentemente, do comando da Seap, teria motivado o ataque."Os bandidos estão pressionando para negociar com o novo governo concessões e privilégios. O medo deles é que seja adotado um regime disciplinar mais duro que eles querem impedir de qualquer forma", disse. Sobre as milícias, Precioso descartou. "O assunto milícias pra mim é uma grande besteira. Não existe. O que existe são justiceiros, matadores, e todo mundo misturou tudo", avaliou.

O documento, com o timbre da Subsecretaria de Inteligência (SSI), que alertava sobre os ataques de ontem, tinha informações dando conta de que dia 25, durante uma festa de Natal no Morro da Mangueira, o traficante Jorge Ferreira, o Gim, que controla o tráfico na Cidade de Deus, Jacarepaguá, se reuniu com traficantes de vários pontos da cidade para planejar o ataque. A data marcada: 28 de dezembro. (leia a matéria completa aqui)


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Os ataques que aterrorizaram o Rio de Janeiro ao longo de toda a madrugada e parte do dia de ontem revelam uma nova face da violência urbana. Com a entrada de um "novo ator" no jogo de disputa pelo poder nas comunidades, as milícias paramilitares, as fragmentadas facções do tráfico de drogas ensaiam uma união contra este, que parece ser um novo inimigo comum.

As milícias já agem no Rio há bastante tempo, mas só agora parecem decididas a expandir os negócios. Acredito que esse súbito interesse tenha a ver com a conivência de autoridades estaduais e municipais para com elas. É lido e sabido que a "mineira", como é conhecida, têm representantes eleitos na Câmara Municipal, na Assembléia Legislativa e até mesmo no Congresso Nacional.

Fazendo uma análise bastante fria, fomentar essas milícias - formadas em sua maioria por policiais - foi uma grande burrice do governo. Parece até que nunca ouviram falar do lema "dividir para conquistar" dos romanos, e acabaram por unir as três principais facções do tráfico carioca, o Comando Vermelho (CV), o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Amigos dos Amigos (ADA). Pode ser que agora a guerra seja conflagrada e o clima fique mesmo "tipo Colômbia", como já apregoava o funk proibidão.

Como sabemos, a Colômbia vive um problema endêmico de guerra civil entre as Forças Armadas Revolucionárias (Farcs) e grupos paramilitares que disputam espaço em todo país. A única diferença entre os dois casos é que lá ainda existe um resquício ideológico, e aqui o que se vê é apenas uma sangrenta disputa por mercado.

E os ocupantes dos Palácios da Cidade e da Guanabara assistem tudo como espectadores privilegiados, placidamente.