quinta-feira, novembro 30, 2006

Devaneios políticos casuais

Essa semana meus editores resolveram mudar o enfoque da minha editoria - Política, para que não sabe - e agora tenho ido mais a campo investigar casos e etc. Eles decidiram dar uma linhagem mais popular para a coisa, tipo municipalizar os temas abordados para torná-los mais próximos do público-alvo. Não acho que seja ruim, muito pelo contrário, apesar da carga de trabalho ter aumentado. Antes, eu ficava mais no campo das idéias, em umas trips de editor, coisa e tal. Enfim...

Com essa mudança, já causei rebuliço em Caxias e amanhã o impacto deve ser o mesmo em um município vizinho, Nova Iguaçu. Decidi investigar irregularidades ambientais cometidas pela empresa de cosméticos, Embelleze, que pertence a um político local do PSDB. A empresa já fez o diabo no meio ambiente, desviou curso de rio, invadiu área de proteção ambiental e represou a água desse mesmo rio, motivo que causou a desgraceira em um dos bairros de lá esses dias, por conta da chuva.

Nessas andanças, passei a ver o 'outro Brasil' de maneira mais próxima. Mesmo não sendo de uma classe muito abastada, sempre convivi em um ambiente bem estruturado, onde poucas coisas básicas fizessem falta. Agora tenho prestado mais atenção em observar como vive esse outro lado, que é a maioria da população brasileira.

Uma coisa que minha mãe me disse uma vez e eu pude fazer a prova real e encarar como certo é que o chamado "povão" é ainda muito inocente. Acreditam em tudo que vêem, por isso podemos constatar a presença maciça de igrejas evangélicas de todos os matizes e de políticos corruptos de linhagem caudilhesca por todos os cantos. Mostra também como a educação - ou a falta dela - faz uma bruta diferença na vida das pessoas, liberta de verdade.

É muito fácil indagar essas questões em uma mesa de um bistrô no Leblon, ou lendo a Veja no Posto 9. No entanto, o complicado é ver de perto e compreender os mecanismos que regem a mente da população mais pobre. Não sei, é complicado julgar, mas a constatação básica é que no Brasil, a elite se comporta como a elite deveria se comportar, e o povão idem. Não há uma novidade, é mais ou menos assim, há mais de 500 anos.

Creio que aconteceram avanços, mas não foram suficientes para desmistificar esse aspecto da nossa cultura. Não adianta, por exemplo, a União ser muito legal, ter projetos bons, liberar a grana sendo que, na outra ponta, o destinatário não é confiável. O Brasil tenta avançar politicamente da maneira contrária, do geral para o particular, do modelo plurianual do governo federal para o projeto piloto municipal, assim como já ocorre na economia, onde os superávits são mais importantes do que a infra-estrutura, sem falar na velha tática do bolo ("esperar crescer para depois dividir") que volta e meia fica em voga.

Bem, não sei, são apenas devaneios de quem quer criar caso.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Fritos passam mal...mesmo!

Hospital atende 45 por suspeita de consumo de álcool e drogas após rave

Folha Online

Ao menos 45 pessoas que participaram de uma festa rave em Niterói (a 15 km do Rio) foram medicadas nos hospitais da cidade por suspeita de consumo excessivo de álcool e drogas, no fim de semana. Um homem de 28 anos permaneceu internado.


A festa começou na noite de sexta-feira. A música eletrônica em volume alto podia ser ouvida do MAC (Museu de Arte Contemporânea), a cerca de 5 km do local da rave.

O comandante do batalhão da PM (Polícia Militar) em Niterói, coronel Marcos Jardim, disse que os organizadores não tinham autorização policial para produzir uma festa do porte da rave. Ele definiu como "uma indecência" o que aconteceu na festa, por onde teriam passado cerca de 9.000 pessoas, a maioria jovens.

Um adolescente de 17 anos acusou os seguranças do evento de o terem espancado e atirado o mar. A rave ocorreu no bairro litorâneo de Jurujuba.

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A festa deve ter bombado, e eu nem fiquei sabendo! Não sou adepto de raves e etc, portanto fico indiferente em relação a casos como esse. Quem deve ficar triste - para usar um termo brando - deve ser o pessoal "true rave", pois uma história dessas só serve para criminalizar um movimento que, a princípio, nasceu da contracultura.

Sabemos que, hoje em dia, as raves se tornam um negócio muito rentável. Atraem tantas pessoas quanto as micaretas há alguns anos atrás. Não é a toa que alguns gaiatos já apelidaram os grandes festivais de "micaretrance", dado o público que aparece por lá. O diferencial fica por conta do número, e da quantidade, de drogas que são utilizadas. Na micareta o pessoal enche a cara de cerveja e sái agarrando as mulheres. Na rave, por sua vez, os sintéticos como o ecstasy são consumidos como água e a galera prefere agarrar a caixa de som, esses são os chamados "fritos".

Bem, criminalizado por criminalizado, prefiro ouvir metal!

Criando o caso ao acaso

Que atire a primeira pedra aquele que nunca criou um caso na vida? Seja por motivo ou pela falta dele, é algo meio inevitável que não o façamos ao longo de nossa breve existência.

Esse blog é, de certa forma, dedicado a isso. Talvez não fosse, mas como dos milhares de nomes que tentei colocar esse foi o que me legaram como "disponível". Até meu nome completo já estava sob o domínio de outra pessoa. Será que é passível de processo ou estou criando caso?

Pretendo falar de tudo por aqui, desde as coisas mais triviais como a praia cheia do sábado passado até resoluções práticas para acabar com a fome no mundo (paz mundial está demodé!). Histórias, ganchos, personagens raros e situações inusitadas não faltam na minha vida - assim como na de qualquer outro ser humano - mas nunca lembro de passá-las para frente a não ser contando pros outros. Como ficar repetindo a mesma história dez vezes é um saco, coloco aqui e quem quiser lê, assim como quem quiser ouve as minhas ladainhas.

Afora isso, tem uns assuntos doidos que rondam a mente de vez em sempre. Viagens sobre a política, a sociedade, conceitos abstrato-filosóficos, perguntas sem resposta e muitos etecéteras. Deus só será citado se for pra criar caso. É fato.

Por enquanto vai esse post de abertura, meio que só pra constar. Conforme for vou atualizando regularmente.