Devaneios políticos casuais
Essa semana meus editores resolveram mudar o enfoque da minha editoria - Política, para que não sabe - e agora tenho ido mais a campo investigar casos e etc. Eles decidiram dar uma linhagem mais popular para a coisa, tipo municipalizar os temas abordados para torná-los mais próximos do público-alvo. Não acho que seja ruim, muito pelo contrário, apesar da carga de trabalho ter aumentado. Antes, eu ficava mais no campo das idéias, em umas trips de editor, coisa e tal. Enfim...
Com essa mudança, já causei rebuliço em Caxias e amanhã o impacto deve ser o mesmo em um município vizinho, Nova Iguaçu. Decidi investigar irregularidades ambientais cometidas pela empresa de cosméticos, Embelleze, que pertence a um político local do PSDB. A empresa já fez o diabo no meio ambiente, desviou curso de rio, invadiu área de proteção ambiental e represou a água desse mesmo rio, motivo que causou a desgraceira em um dos bairros de lá esses dias, por conta da chuva.
Nessas andanças, passei a ver o 'outro Brasil' de maneira mais próxima. Mesmo não sendo de uma classe muito abastada, sempre convivi em um ambiente bem estruturado, onde poucas coisas básicas fizessem falta. Agora tenho prestado mais atenção em observar como vive esse outro lado, que é a maioria da população brasileira.
Uma coisa que minha mãe me disse uma vez e eu pude fazer a prova real e encarar como certo é que o chamado "povão" é ainda muito inocente. Acreditam em tudo que vêem, por isso podemos constatar a presença maciça de igrejas evangélicas de todos os matizes e de políticos corruptos de linhagem caudilhesca por todos os cantos. Mostra também como a educação - ou a falta dela - faz uma bruta diferença na vida das pessoas, liberta de verdade.
É muito fácil indagar essas questões em uma mesa de um bistrô no Leblon, ou lendo a Veja no Posto 9. No entanto, o complicado é ver de perto e compreender os mecanismos que regem a mente da população mais pobre. Não sei, é complicado julgar, mas a constatação básica é que no Brasil, a elite se comporta como a elite deveria se comportar, e o povão idem. Não há uma novidade, é mais ou menos assim, há mais de 500 anos.
Creio que aconteceram avanços, mas não foram suficientes para desmistificar esse aspecto da nossa cultura. Não adianta, por exemplo, a União ser muito legal, ter projetos bons, liberar a grana sendo que, na outra ponta, o destinatário não é confiável. O Brasil tenta avançar politicamente da maneira contrária, do geral para o particular, do modelo plurianual do governo federal para o projeto piloto municipal, assim como já ocorre na economia, onde os superávits são mais importantes do que a infra-estrutura, sem falar na velha tática do bolo ("esperar crescer para depois dividir") que volta e meia fica em voga.
Bem, não sei, são apenas devaneios de quem quer criar caso.
Com essa mudança, já causei rebuliço em Caxias e amanhã o impacto deve ser o mesmo em um município vizinho, Nova Iguaçu. Decidi investigar irregularidades ambientais cometidas pela empresa de cosméticos, Embelleze, que pertence a um político local do PSDB. A empresa já fez o diabo no meio ambiente, desviou curso de rio, invadiu área de proteção ambiental e represou a água desse mesmo rio, motivo que causou a desgraceira em um dos bairros de lá esses dias, por conta da chuva.
Nessas andanças, passei a ver o 'outro Brasil' de maneira mais próxima. Mesmo não sendo de uma classe muito abastada, sempre convivi em um ambiente bem estruturado, onde poucas coisas básicas fizessem falta. Agora tenho prestado mais atenção em observar como vive esse outro lado, que é a maioria da população brasileira.
Uma coisa que minha mãe me disse uma vez e eu pude fazer a prova real e encarar como certo é que o chamado "povão" é ainda muito inocente. Acreditam em tudo que vêem, por isso podemos constatar a presença maciça de igrejas evangélicas de todos os matizes e de políticos corruptos de linhagem caudilhesca por todos os cantos. Mostra também como a educação - ou a falta dela - faz uma bruta diferença na vida das pessoas, liberta de verdade.
É muito fácil indagar essas questões em uma mesa de um bistrô no Leblon, ou lendo a Veja no Posto 9. No entanto, o complicado é ver de perto e compreender os mecanismos que regem a mente da população mais pobre. Não sei, é complicado julgar, mas a constatação básica é que no Brasil, a elite se comporta como a elite deveria se comportar, e o povão idem. Não há uma novidade, é mais ou menos assim, há mais de 500 anos.
Creio que aconteceram avanços, mas não foram suficientes para desmistificar esse aspecto da nossa cultura. Não adianta, por exemplo, a União ser muito legal, ter projetos bons, liberar a grana sendo que, na outra ponta, o destinatário não é confiável. O Brasil tenta avançar politicamente da maneira contrária, do geral para o particular, do modelo plurianual do governo federal para o projeto piloto municipal, assim como já ocorre na economia, onde os superávits são mais importantes do que a infra-estrutura, sem falar na velha tática do bolo ("esperar crescer para depois dividir") que volta e meia fica em voga.
Bem, não sei, são apenas devaneios de quem quer criar caso.
